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Janelas da alma

Por: Divani Mogames Terçarolli[ Ver todos ] 
Publicado em: 09/12/2004 00:00:00


















Janelas da alma

Divani Mogames Terçarolli

















Apesar de muitas religiões verem na Astrologia uma espécie de culto pagão de adoradores de estrelas, na verdade ela é uma prática, tal como a psicologia, que não interfere na crença pessoal de cada um. Pelo contrário, é na Bíblia que nós, astrólogos, vamos buscar muitos exemplos e analogias para explicar a linguagem simbólica da Astrologia.


A propósito, se a Astrologia fosse tão ofensiva a Deus como querem fazer crer alguns setores religiosos, Ele não teria conduzido três astrólogos ao local de nascimento de Seu filho.(*) Astrólogos, sim, que perguntaram: - ”Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no oriente e viemos adorá-lo.” (Mateus 2,1-2)
Eles trouxeram ouro, para simbolizar a realeza de Cristo; incenso, Sua divindade, e mirra, Seu poder curador, regenerador de almas.
Talvez, esses ricos presentes tenham ajudado a Sagrada Família a fugir para o Egito, quando Herodes mandou matar todos os bebês judeus do sexo masculino.

Para celebrar o nascimento do filho de Deus, as pessoas se preocupam em enfeitar a casa, pintar, trocar cortinas, enfim, mudar o ambiente, renovar o ar, ou pelo menos, fazer uma boa faxina na época do Natal.

Mas quantos se preocupam em enfeitar o rosto com um sorriso, trocar as críticas e as palavras amargas por um elogio, espanar as teias de aranha dos preconceitos, jogar fora velhas mágoas e ressentimentos guardados no porão da memória ?

Por quê tanta gente fica triste e deprimida nessa época, por quê tantos detestam as festas natalinas e prefeririam dormir e só acordar em janeiro, quando tudo já houvesse terminado?

Qual o motivo dessa tristeza, em lugar da alegria que as luzes de Natal anunciam, e a mídia parece esbanjar em suas mensagens?
Será porque essa data nos obriga a olhar além das aparências, a enxergar coisas que tentamos não ver? Ou porque amolece nosso coração, insensível de tanto conviver com o sofrimento, diariamente, ao vivo e em cores, próximo ou distante, nas guerras, atentados, protestos, fome, violência, etc., etc.?

Na verdade, nós nos sentimos vazios, talvez até um pouco culpados, pois sentimos que deveríamos fazer alguma coisa para melhorar o mundo em que vivemos. Então, tentamos colocar ordem em nosso pequeno mundo, a começar pelas nossas casas.

Mas, melhorar o mundo não é alterar a forma, e sim o conteúdo. A mudança externa tem que refletir a interna. Não apenas no Natal, mas todos os dias de nossas vidas, deveríamos refletir, honestamente, sobre o que fizemos, ou deixamos de fazer para melhorar a nós mesmos e à sociedade em que vivemos, e nos comprometermos seriamente com nosso crescimento; não só espiritual, mas também emocional e intelectual, pois só poderemos mudar o mundo à nossa volta, se e quando cada um conseguir mudar a si mesmo.

Giordano Bruno disse: “A alma humana possui janelas que ela pode fechar hermeticamente.” A Luz bate nas janelas de todas as almas humanas, mas nós estamos cegos para ela. Quando essas janelas se abrem, e deixamos a Luz entrar, a alma toda se ilumina. Mas nós mantemos as janelas fechadas e não nos permitimos ver essa luz. Só podemos imaginar o que existe lá fora, através de frestas, que são os raros momentos em que nosso ser faz contato com o divino, quando nos emocionamos ouvindo uma música, contemplando a natureza ou um sorriso de criança. Quando a vontade humana abre a janela, a verdadeira Vida inunda a alma. Mas como o ser humano é dotado de livre-arbítrio, nós é que temos que querer abrir nossas janelas.

Dizem que o Menino Deus nasceu numa caverna, num estábulo. Nos presépios de antigamente, Jesus recém-nascido era bem pequenino, até desproporcional, em relação às outras personagens, exatamente para simbolizar que o Cristo, a centelha do amor divino, tem que nascer dentro da caverna do coração do homem. Como todo herói verdadeiro, esse filho da Luz nasce no signo de Capricórnio – ocasião do solstício de inverno no hemisfério norte - quando as trevas são mais densas, e a noite é mais longa e mais escura.
João, o discípulo amado, assim escreveu:

“Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito. Nele havia vida, e a vida era a luz dos homens. E a luz resplandeceu nas trevas e as trevas não a compreenderam.” (João1,4-5)

As trevas de nossa insensibilidade, nossos preconceitos, nossos ressentimentos, sufocam o divino em nós. Estamos muito acostumados a viver na escuridão...
Mas, vivenciar o espírito do Natal, é escancarar-se para a luz, é abrir as janelas da alma!









 













 
 

Colaborador

Divani Mogames Terçarolli Divani Mogames Terçarolli
Biografia:
Formada em Relações Públicas pela ECA-USP, é astróloga, professora da Régulus cursos e assessoria astrológica e colaboradora do jornal Magus. Membro da ABA - Associação Brasileira de Astrologia, e do SAESP - Sindicato dos astrólogos do estado de São Paulo.

 

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