Os homens estão mais sensíveis?
Por: Sergio Savian[ Ver todos ]
Publicado em: 04/10/2004 00:00:00
Uma grande mudança tem ocorrido nas últimas décadas: a substituição das atividades braçais pelo desenvolvimento tecnológico. Além disso, as comunicações passaram a ocupar um papel cada vez mais importante em nossa sociedade.
Em decorrência disso, as mulheres foram se mostrando cada vez mais eficientes para as novas tarefas e conquistaram um mercado de trabalho que era ocupado basicamente pelos homens. Afinal de contas, elas têm se mostrado muito mais habilidosas e dedicadas, além de organizadas e expressivas. Eles, que estavam acostumados com os privilégios do poder, perderam o domínio da situação e na marra, devem se acostumar com sua nova posição.
É claro que essa mudança acaba influenciando as regras do jogo e o relacionamento amoroso não consegue mais andar sobre os trilhos do machismo. Agora, não faz nenhum sentido uma mulher se subordinar aos caprichos masculinos, numa relação determinada pela desigualdade de direitos.
As mulheres se fortaleceram com tudo isso, reconhecendo dentro de si algumas características que eram exclusivas dos homens. Estão mais decididas, participando das administrações, colaborando financeiramente nos lares e em muitas vezes, dando as cartas. Mas este movimento influencia, sem dúvida nenhuma, a masculinidade, que passou a ser bastante questionada.
O que é mesmo ser homem?
Os meninos sempre foram educados para entender que ser homem é não ser mulherzinha. E isso significa que ele não pode e nem deve entrar em contato com sua sensibilidade. Afinal, homem que é homem não chora! Existe uma verdadeira vigilância para que isso não aconteça. Mas aí reside um grande problema.
Se as mulheres hoje se tornaram mais independentes e realizam atividades que eram consideradas masculinas, elas não precisam mais do jeitão que os homens estavam acostumados a lhes oferecer. O que elas precisam e pedem neste momento é de um homem companheiro e sensível que ainda está por vir. Ainda não existe espaço para este novo homem: que entenda a necessidade do diálogo, que esteja mais conectado com os sentimentos.
Talvez a única saída para o desencontro amoroso atual seja a sensibilização masculina. Mas para que isto ocorra devemos sair da visão preconceituosa e admitir que a masculinidade não precisa se auto-afirmar como negação do feminino, mas pode ter como base a integridade.
Homem que é homem não precisa temer o seu lado amoroso e sensível. Que tal temperar sua força natural com o espírito da mútua colaboração? Isto significa que ele sai da competição de quem é melhor ou pior e se junta às mulheres para fabricar um autêntico relacionamento amoroso.
Colaborador
Sergio Savian
Biografia:
Sergio Savian é terapeuta e escritor. Autor de sete livros, dentre eles o Paquera: brincadeira de gente grande, da Editora Celebris. Dirige a Escola de Relacionamento, com cursos que promovem a mudança de hábito nos relacionamentos. Saiba mais no site www.mudancadehabito.com.br